quinta-feira, 17 de setembro de 2009

COMUNICADO

Comunicamos a todos que por uma questão de praticidade estamos transferindo as matérias aqui publicadas para o blog Clóvis Campêlo ( http://cloviscampelo.blogspot.com ).

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Cidade do Moreno


Igreja de Nossa Senhora da Conceição


CIDADE DO MORENO

Clóvis Campêlo

Cidade situada na Região Metropolitana, a 30,6 quilômetros do Recife, com 196 quilômetros quadrados de área, 52.830 habitantes e uma frota de 6.681 veículos (em 2007).
A origem da cidade remonta ao ano de 1.616, quando o português Baltazar Gonçalves Moreno adquiriu na localidade áreas extensas de canaviais.
No início do século XX, a instalação na cidade da indústria têxtil Societé Cotoniere Belge Brasiliense deu-lhe o status necessário para a sua emancipação política e econômica, o que ocorreu em 11 de setembro de 1928, através da Lei nº 1.931. O município é formado pelo distrito sede e pelo povoado de Bonança.
Com a sua economia sempre assentada nas indústrias têxtil e açucareira, a cidade reflete na sua história esse aspecto ímpar. Nela, encontram-se sediados 39 engenhos de açúcar, alguns ainda em atividade, que refletem e representam a ascenção e a decadência da indústria canavieira pernambucana, tendo como destaque a casa grande do Engenho Moreno, onde, em 1859, o Imperador D. Pedro II se hospedou.
Com a implantação da indústria têxtil, no início do século XX, a cidade sofreu um impulso desenvolvimentista que se refletiu diretamente na sua arquitetura com a construção da Vila Operária, da Estação Ferroviária, do Mercado Público e do prédio da Prefeitura.
Atualmente a economia municipal está assentada nas atividades agropecuárias, na administração pública, na prestação de serviços e no comércio.
Anualmente, de 30 de novembro a 8 de dezembro, comemora-se no município a Festa de Nossa da Conceição, com novenários, queima de fogos, procissões e missas na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, construída nos anos 30 do século passado.
Em Moreno encontramos ainda a Reserva Carnijó com a sua beleza natural formada por matas, riachos, açudes, várzeas e diversas variedades da flora e da fauna tropicais.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Joaquim Maria Carneiro Vilela


JOAQUIM MARIA CARNEIRO VILELA

Escritor pernambucano, fundador e primeiro presidente da Academia Pernambucana de Letras. Nasceu no bairro de São José, no Recife, no dia 9 de abril de 1846. Filho de Joaquim Vilela de Castro Tavares e de Maria Madalena Vilela, perdeu o pai aos dois anos de idade, indo residir com a mãe na casa do avô materno, no bairro dos Afogados.
Aos 15 anos foi internado no Colégio Benfica, que existia na Praça Chora Menino, no bairro da Boa Vista. Em 1862, aos 18 anos, matricula-se no Curso Jurídico da Faculdade de Direito do Recife. Aos 19 anos, ainda estudante de Direito, casa-se com Margarida Iria Bruno, italiana de nascimento, naturalizada brasileira.
Em 26 de outubro de 1866, recebe o grau de Bacharel. Em seguida, é nomeado para o cargo de Juiz Municipal da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. Em 1871, inaugura o jornal A América Ilustrada. Volta ao Recife, em 1875, quando publica o primeiro livro de poesias, A Margarida, pela Tipografia América, dedicado a sua esposa. Nessa mesma época, funda o Jornal da Tarde, promovendo forte campanha pela adoção do casamento civil. Em 1876, torna-se redator do Diário do Gram Pará, traduzindo o poema bíblico Cânticos. No Pará, chegou ainda a exercer o cargo de Chefe da Seção da Secretaria do Governo do Estado. Em 1879 é nomeado Juiz substituto de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro. No dia 26 de janeiro de 1901, ao lado de outros intelectuais pernambucanos, fundou a Academia Pernambucana de Letras, da qual seria o primeiro presidente. Em 1905, publica o Clube do Cupim, de apontamentos para a história da abolição em Pernambuco. Como literato, escreveu poesias, contos, peças teatrais e romances, entre os quais o mais famoso, A emparedada da Rua Nova.
Faleceu no dia 1º de julho de 1913, aos 67 anos de idade.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A maxambomba


A maxambomba na Estação Ponte D'Uchoa, no Recife


A MAXAMBOMBA

Clóvis Campêlo
Segundo o pesquisador Neldson Marcolin, a maxambomba foi o primeiro sistema de transporte urbano sobre trilhos do Brasil, antecipando-se até mesmo aos bondes de burros.
Inaugurado em 1867, o serviço foi explorado pela firma inglesa Brazilian Street Railway Company Limited, após concessão dada pelo governo da Província.
Por essa época, ainda segundo o pesquisador citado, o Recife já era um importante centro financeiro e comercial. A implantação da maxambomba, uma corruptela da expressão inglesa machine pump (bomba mecânica), trouxe as condições necessárias para a impulsão do seu desenvolvimento.
Até os anos de1860, proliferava o uso de cavalos e carroças para se enfrentar os terrenos aladiços que compunham o cenário urbano recifense e se chegar a Olinda e aos povoados distantes que se formavam às margens dos rios. Por essa época, a população do Recife era de pouco mais de 75 mil habitantes. A implantação de uma ferrovia urbana percorrida pela pequena locomotiva e seus vagões de passageiros foi a solução encontrada.
De início, as locomotivas começaram puxando apenas três vagões, chegando, depois, a circularem com 17 carros. Até1890, cada carro transportava 28 passageiros, sendo desenvolvido posteriormente um novo modelo que levava o dobro de passageiros.
As máquinas eram importadas da Inglaterra, chegando a existir no Brasil daquela época 14 locomotivas.
Com 22 quilômetros de trilhos e 20 estações, a maxambomba circulou no Recife até 1914, quando foi substituída pelos bondes elétricos.
Segundo o historiador Leonardo Dantas Silva, a implantação da maxambomba na cidade estimulou a construção de pontes para dar passagem aos seus trilhos, como a ponte de ferro que foi feita, em 1884, ligando os bairros da Capunga e da Madalena, e que antecedeu a atual Ponte da Capunga.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Parque 13 de Maio







PARQUE 13 DE MAIO








Clóvis Campêlo







Medindo 6,9 hectares, o Parque 13 de Maio foi inaugurado no dia 30 de agosto de de 1939, numa área situada entre os bairros da Boa Vista e de Santo Amaro. Projetado pelo engenheiro Domingos Ferreira, é o maior parque planejado do Estado de Pernambuco e o primeiro parque urbano histórico do Recife.
Consta que a sua construção teve início durante o governo do general Barbosa Lima (1892-1896), com o nome de Jardim 13 de maio.
Antes, porém, consta que vários projetos foram elaborados visando a criação de um parque naquelas imediações. O primeiro deles, em 1860, foi criado pelo engenheiro inglês William Martineau. Adotando um estilo geométrico, no projeto estavam incluídos os jardins da Faculdade de Direito. Era dividido em quatro jardins que se estendiam até a ponte Princesa Isabel.
Em 1875, o engenheiro francês Emile Beringuer também elaborou um outro projeto para o parque, contendo um coreto e um aquário em arqueitetura de ferro, assemelhando-se, segundos os especialistas, comk o Parc Monceau, em Paris.
Em 1930, o Parque foi reprojetado pela Prefeitura do Recife e inaugurado durante a realização do III Congresso Eucarístico Nacional, realizado na cidade.
Consta ainda que o paisagista Burle Marx também participou da elaboração do projeto dos seus jardins.
Na década de 40, foi construído no Parque o resteurante Torre de Londres, posteriormente desativado e demolido.
Nos anos 50, uma parte do Parque foi utilizada para a construção da Biblioteca Pública de Pernambuco e de quatro escolas públicas.
Nos anos 70, foram feitas várias reformas no local, sendo instalado um mini-zoológico, fontes luminosas, duas esculturas em concreto feitas pelo artista plástico Abelardo da Hora, representando um vendedor de caldo-de-cana e dois sertanejos sentados, tocando viola.
Em 1979, tanto o Parque 13 de Maio quanto a Faculdade de Direito do Recife tiveram os seus sítios declarados como área de preservação histórica.
Nos anos 80, o Parque foi todo cercado por grades, visando a segurançda dos seus frequentadores e visando protegê-lo contra as ações de vandalismo que vinha sofrendo.
No Parque, além da grande quantidade de árvores nativas e oriundas de outros países, também podem ser vistas postes de ferro esculpidos com figuras mitológicas, equipamentos de recreação para crianças a adolescentes, bustos de figuras históricas como o de Joaquim José de Faria Neves Sobrinho, um dos fundadores da Academia Pernambucana de Letras, do general Dantas Barreto e do historiador Pereira da Costa.
Em área separada dentro do Parque, no prédio on funcionou a Escola Normal do Recife, funciona hoje a Câmara de Vereadores do Recife.
Na entrada do Parque existe uma placa com a seguinte inscrição:
"Este parque, cujo primeiro projeto data de 1865, foi construído em 1939, no governo de Agamenon Magalhães, pelo prefeito Novais Filho, para as solenidades do III Congresso Eucarístico Nacional".

sábado, 29 de novembro de 2008

Ana das Carrancas


ANA DAS CARRANCAS

Clóvis Campêlo

Ana Leopoldina Santos, a Ana das Carrancas, nasceu em 1923, na cidade de Ouricuri, no sertão pernambucano.
Começou a lidar com o barro ainda menina para ajudar a sua mãe no sustento da família, fazendo panelas, potes e outras cerãmicas utilitárias que eram vendidas na feira.
Aos 22 anos, casou-se, tendo duas filhas com o primeiro marido antes de ficar viúva. Casou-se depois com José Vicente de Barros, que conhecera pedindo esmolas, na feira de Picos, no Piauí, e com quem viveu até o seu falecimento.
Em busca de melhores condições de vida, mudou-se para Petrolina, onde teve a idéia de confecionar em barro as carrancas coloridas que via nas proas dos barcos do Rio São Francisco.
Sua idéia deu certo e logo passou a trabalhar em família, juntando à produção da cerâmica utilitária a fabricação das carrancas em barro cozido. Com a sua criatividade, Ana inseriu o Sertão do São Francisco no mapa da arte popular de Pernambuco.
No Centro de Arte Ana das Carrancas, em Petrolina, existe um memorial composto por fotografias, recortes de jornal, medalhas e troféus conquistados pela artesã.
Segundo a Fundação Joaquim Nabuco, na sua página na internet (http://www.fundaj.gov.br/), as obras de arte de Ana das Carrancas são peças de aspectos grosseiros, criadas em seu próprio estilo, sempre com os olhos vazados, em homenagem ao marido, nascido cego.
Segundo Eliane Brum, em artigo publicado na revista Isto É, em 09.10.2008, as carrancas de Ana são diferentes de todas as outras que decoram os barcos do São Francisco. Em vez de madeira, ela usava o barro, além de de terem sempre os olhos vazados.
Em 2004, a artesã sofreu um acidente vascular cerebral, perdendo a fala e a capacidade de locomoção.
Em março de 2005, foi agraciada com a Ordem do Mérito Cultural, recebendo o título das mãos do presidente Lula e do ministro da cultura, Gilberto Gil.
Neste mesmo ano, também recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, concedido pelo Governo do Estado.
Ana das Carrancas faleceu em Petrolina, aos 85 anos, no dia 1 de outubro de 2008, vitimada por uma parada cardio-respiratória. O velório foi realizado na Câmara de Vereadores da cidade, sendo sepultada no Cemitério Campos da Flores.

domingo, 23 de novembro de 2008

Íbis Esporte Clube




ÍBIS ESPORTE CLUBE

Clóvis Campêlo

O Íbis foi fundado no dia 15 de novembro de 1938 pelos funcionários da fábrica Tecelagem de Seda e Algodão de Pernambuco (TSAP), que ficava localizada na Avenida Suassuna, no bairro de Santo Amaro, no Recife.
Segundo o jornalista Duda Guennes, quem batizou o clube foi buscar na mitologia egpícia o símbolo do deus Thoth, juiz dos mortos, com corpo de homem e cabeça de íbis, o pássaro preto, encarnando assim, o mito da imortalidade.
Em 1947, nove anos após ser fundado, o Íbis fez a sua estréia em campeonatos estaduais, sofrendo uma goleada do Náutico por 9x2.
O Íbis, no entanto, ao longo da sua história, não se cacaterizou apenas por ser um eterno saco de pancadas. Por duas vezes, foi campeão do Torneio Início do campeonato pernambucano, além de ter sido campeão estadual de juniores nos anos de 1948 e 1995.
No Íbis, também, foram revelados dois grandes jogadores que marcaram época no futebol pernambucano e brasileiro: o centroavante Vavá, bicampeão mundial em 1958/62, e o lateral esquerdo Rildo, que disputou a Copa do Mundo de 1966 e as eliminatórias da Copa de 1970.
No que tange aos seus jogadores, porém, a história mais inusitada é a do goleiro Jagunço, que teve a sua contratação paga com uma bicicleta e uma dentadura. Consta ainda que Jagunço foi o pior goleiro da história do clube, sofrendo 366 gols em dez anos de carreira.
Entre 1977 e 1979, conquistou a fama de ser o pior time do mundo ao disputar 75 jogos e vencer apenas quatro. Nesse período, em 11.10.1978, sofreu a sua maior goleada ao ser derrotado pelo Santa Cruz, no Estádio do Arruda, pelo placar de 13x0.
Entre 1979 e 1983, superou a própria marca negativa, disputando 69 jogos, vencendo apenas um, empatando quatro e perdendo 62 partidas. Nesse período, sofreu mais de 300 tentos e marcou apenas 22. Nos anos de 1979 e 1981, inclusive, não conseguiu uma única vitória.
O Íbis esteve na Primeira Divisão do futebol pernambucano pela última no ano de 2000, quando derrotou o Náutico, nos Aflitos, no dia 25 de março, por 1x0, sua última grande façanha.
Existem registros ainda, no acervo ibiense, de duas vitórias históricas conseguidas contra o Sport, no dia 28.08.1947, por 5x4, no Estádio dos Aflitos, e outra vitória contra o Náutico, em 25.07.1948, também nos Aflitos, pelo placar de 5x3.
Esse é o perfil do Íbis Esporte Clube, o rubro-negro das Salinas, o pior time do mundo e orgulho do futebol pernambucano.